Relatório questiona 60% das mortes por covid-19 em 2020

Documento, citado por Bolsonaro hoje, não indica elo com repasse de recursos federais, mas admite possíveis falhas de notificação. TCU nega que relatórios indiquem que as mortes não foram provocadas por Covid.

Um trecho de um relatório, conseguido por meio de fontes do Palácio do Planalto, levanta suspeitas sobre o real número de mortes em decorrência da covid-19 em 2020.

De acordo com o documento, apenas quatro em cada dez óbitos (41%) registrados por complicações da doença seriam efetivamente resultado da contaminação pelo vírus. 

Segundo o documento, 80 mil pessoas podem ter morrido por complicações da covid-19 no ano passado – e não as 194.949 pessoas que não resistiram, oficialmente.

Os outros 59% das mortes – cerca de 115 mil casos – teriam sido anotados de forma errada como covid-19. Nesta manhã, o presidente Jair Bolsonaro antecipou a informação a uma plateia de apoiadores no Palácio do Alvorada, em Brasília.

Os dados, supostamente superdimensionados, teriam ocorrido por falhas nas notificações, alerta o texto.

“Repete-se o que foi supramencionado, que não há evidências de que os entes subnacionais estejam supernotificando o número de casos da doença a fim de receberem mais recursos federais. No entanto, pode haver erros de notificação e a análise acima busca trazer ao questionamento se os dados de mortalidade decorrentes da Covid-19 estão corretos”, assinala o documento.

Em nota o TCU esclarece que não há informações em relatórios do tribunal que apontem que “em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid”, conforme afirmação do Presidente Jair Bolsonaro divulgada hoje. Segundo o Tribunal, nesse processo, o relatório aponta apenas que utilizar a incidência da Covid-19 como critério para transferência de recursos, com base em dados das Secretárias Estaduais de Saúde, pode estimular a supernotificação de casos. 

Fonte: (B.do Nolasco, R7).

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