
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirma ter identificado a exclusão de 499 conteúdos do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Segundo o levantamento apresentado pela equipe do senador, as mensagens apagadas podem conter publicações que motivaram a tentativa de suspensão do canal, que reúne mais de 4 milhões de seguidores favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo informações divulgadas pelo Poder 360 nesta terça-feira (13), a campanha de Flávio sustenta que a exclusão das mensagens explicaria por que a área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou, durante a análise das publicações disponíveis, conteúdos falsos que justificassem a suspensão integral do grupo. A alegação consta em um relatório elaborado pela equipe do senador.
De acordo com a campanha, o canal era utilizado para divulgar mensagens favoráveis a Lula e contrárias a Flávio, que disputam o segundo turno da eleição presidencial. Na ação apresentada à Justiça Eleitoral, a defesa do senador afirmou que Janones promovia ações de compartilhamento em massa, chamadas de “missões”, e que parte do material divulgado continha informações desinformativas e ofensivas.
Entre os exemplos citados no levantamento estão publicações que teriam atribuído crimes ao ministro do TSE André Mendonça, além de mensagens segundo as quais Flávio, caso fosse eleito presidente, reduziria aposentadorias e acabaria com benefícios sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Essas acusações integram a versão apresentada pela campanha e não devem ser tratadas como conclusões definitivas da Justiça Eleitoral.
O relatório da campanha descreve uma dinâmica em que Janones publicaria uma notícia, convocaria os integrantes do canal a compartilhá-la no WhatsApp e em outras redes sociais e, posteriormente, apagaria a mensagem original.
Em uma publicação reproduzida no levantamento, datada de 11 de outubro de 2026, o deputado teria escrito: “Sempre que vocês cumprirem uma missão curta, como essa, eu vou deletar para não poluir aqui, ok? Essa matéria da página do [Luiz] Bacci já vou apagar”
A equipe de Flávio argumenta que esse procedimento teria dificultado a identificação posterior dos conteúdos questionados. A existência e o alcance das exclusões, assim como a natureza das mensagens apagadas, precisam ser avaliados à luz dos documentos apresentados e das apurações oficiais.
Na segunda-feira (12), a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE informou que não encontrou, entre as publicações examinadas no canal no período de 2 a 11 de outubro, notícias falsas que justificassem a suspensão solicitada. A área técnica, entretanto, identificou práticas de mobilização coordenada e amplificação de conteúdos e observou que a exclusão e a edição de mensagens dificultavam a reconstrução do histórico do canal.