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A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato à frente do Palácio do Planalto não estava nos cálculos dos investidores. Além de a surpresa levar o Ibovespa a derreter 18% na semana pós-eleição, fez também a Faria Lima voltar-se às planilhas.

Uma série de choques inflacionários previstos para 2027 fizeram soar os alarmes do mercado para uma inflação mais alta no próximo ano. Casas ouvidas pela reportagem estão todas revisando suas estimativas – como a XP e o Bradesco, que deve apresentar o novo cenário na sexta-feira (6) – ou, ao menos, de prontidão para redefinir suas apostas a qualquer sinal do governo.

Inflação mais pressionada

Sobre a alta dos preços, entram na tela dos analistas cinco fatores principais:

  • Alta do dólar: as expectativas para o câmbio também deterioraram. Na semana pós-eleição, o dólar subiu 9,17%;
  • Fim da escala 6×1: estudos apontam potencial inflacionário da reforma devido à necessidade de contratação de mais colaboradores;
  • El Niño: evento climático extremo deve afetar produção e preço dos alimentos;
  • Implementação da reforma tributária: a alíquota da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) sugerida pelo TCU (Tribunal de Contas da União) superou as expectativas;
  • Preço dos combustíveis: afetado em duas pontas. De um lado, o petróleo se mantendo acima de US$ 100; do outro, a volta de impostos federais com o fim dos subsídios aos combustíveis.

Olhando para os impactos vindouros do El Niño e dos combustíveis, o Banco Pine também pode revisar seus números, que hoje apontam inflação de 4,5% no próximo ano.

Mas a fórmula para rever as estimativas não termina aí. O temor entre os investidores é de que o presidente reeleito Lula mantenha uma política fiscal expansionista, o que tende a apertar ainda mais a inflação.

A Warren já havia revisado seus números anteriormente. Oficialmente, a gestora trabalha desde agosto com expectativa de IPCA em 5,2% ao final de 2027. Mas Andréa Angelo, estrategista de inflação da casa, alerta que o impacto da CBS pode fazer o indicador ser 0,3 ponto percentual maior no fim. E em um cenário de estímulo via gastos públicos, a alta dos preços pode ir além dos 5,5%.

Estimativa para o PIB

Em sua atualização de cenário considerando a vitória de Lula nas eleições, o ASA avaliou que o PIB em 2027 deve ficar no zero a zero, com risco de recessão a depender de como caminharem as expectativas dos agentes econômicos.

*Via CNN

Luis Augusto

Sobre editor/redator do site: Luís Augusto, formado em Teologia, Radialista, Jornalista (4283/CE). Âncora do programa Jornal Seara na FM 102,7MHz, Nova Russas.