IBGE amplia greve contra decisões ‘autocráticas e ilegais’ de ativista do PT

| Lula (PT) com Marcio Pochmann, presidente do IBGE – Foto: divulgação/PR.

Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ampliaram nesta segunda-feira (17) a greve iniciada há uma semana na Bahia. A paralisação, motivada por medidas consideradas “autocráticas” e “ilegais” pela categoria, chegou à sede e à superintendência do órgão no Rio de Janeiro. Outros oito núcleos do instituto também se encontram em estado de greve.

De acordo com a Assibge, cerca de 40% dos servidores da unidade baiana já aderiram ao movimento. O sindicato critica alterações na remuneração dos agentes de coleta, no regime de trabalho dos aprovados no Concurso Nacional Unificado (CNU) e na progressão das carreiras. Além disso, acusa a gestão de Marcio Pochmann de fechar as portas ao diálogo: a diretoria sindical eleita em outubro de 2025 aguarda há 11 meses uma audiência com a presidência do IBGE.

Indicado por Lula e filiado ao PT, Pochmann já foi candidato pela legenda em três ocasiões e presidiu a Fundação Perseu Abramo por oito anos. Sua gestão tem acumulado confrontos com o corpo técnico e enfrenta acusações de autoritarismo, aparelhamento e retaliação.Um dos pontos mais polêmicos foi a tentativa de criar a Fundação IBGE+, apelidada de “IBGE paralelo”, que encontrou forte resistência entre os servidores e foi considerada irregular pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Em janeiro de 2026, a demissão de Rebeca Palis — responsável há 11 anos pela área que calcula o PIB — sem justificativa pública provocou uma debandada nas Contas Nacionais. Cristiano Martins, Claudia Dionísio e Amanda Tavares pediram demissão. Ana Raquel Gomes da Silva também foi exonerada da função de gerente após denunciar o que considerou propaganda política em uma publicação oficial do instituto.

O IBGE afirma que as atividades continuam normalmente e que as mudanças visam modernizar o órgão. Pochmann insiste que a autonomia técnica dos números está preservada. A greve, no entanto, revela que, entre os próprios produtores das estatísticas oficiais, a confiança na atual gestão está profundamente abalada.

*D/do Poder

Postagens Relacionadas