
O deputado federal Aluísio Mendes (Republicanos-MA) usou a tribuna da Câmara para denunciar o que classificou como interferência ilegal do Supremo Tribunal Federal na política do Maranhão.
No pronunciamento, ele associou decisões dos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes à crise política e jurídica no Estado e pediu que o Congresso e a imprensa nacional acompanhem o caso.
Segundo Mendes, o Maranhão vive uma “interferência absurda e ilegal no processo eleitoral”. Para ele, se os mesmos fatos ocorressem em Minas Gerais, São Paulo ou Rio de Janeiro, o episódio já seria tratado como um dos maiores escândalos do país.
Um dos principais alvos do discurso foi Flávio Dino, ex-governador, ex-senador e hoje ministro do STF. Mendes relacionou a atuação do magistrado à ruptura entre o grupo de Dino e o governador Carlos Brandão. Disse que processos no Supremo passaram a atingir pessoas ligadas à disputa estadual, incluindo ações sobre a escolha de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA).
O parlamentar afirmou que aliados de Dino repetem a tese de que Brandão pode não concluir o mandato, o que, a seu ver, gera instabilidade. Questionou o silêncio de parte das bancadas estadual e federal e atribuiu a omissão ao “medo” e ao “pânico de serem perseguidos”.
Mendes disse que o próprio pronunciamento poderia colocá-lo sob risco de investigação, inclusive no inquérito das fake news. Citou ainda o deputado estadual Yglésio Moyses, que já apresentou representação internacional contra Dino.
Outro ponto do discurso foi a investigação contra um jornalista maranhense que publicou reportagens sobre o suposto uso irregular de veículo oficial por Flávio Dino. Mendes citou matéria do Jornal da Band e afirmou que, meses depois da denúncia, o caso do veículo seguia sem desfecho, enquanto o autor das reportagens passou a ser investigado.
O deputado criticou buscas e apreensões de celular e computador, que, segundo ele, colocaram em risco o sigilo de fonte. “Uma matéria jornalística apontando uma possível irregularidade deveria ser discutida no foro adequado.” Disse ainda que relatório da Polícia Federal não teria apontado crime na conduta do jornalista, mas que, mesmo assim, medidas foram determinadas no âmbito do Supremo.
Apelo institucional
Ao encerrar, Mendes pediu atenção da Câmara, do Senado e da imprensa nacional. Para ele, a discussão vai além de Brandão ou de um grupo político: trata-se dos limites da atuação de ministros do STF que tiveram participação direta na política maranhense e hoje julgam processos com efeito sobre antigos aliados, adversários e o cenário eleitoral de 2026.
“São esses fatos que hoje acontecem no Maranhão, que parecem passar ao largo da mídia nacional, passam ao largo do Congresso Nacional e que nós não podemos mais aceitar”, concluiu.


