
O ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, manifestou forte preocupação com o atual cenário econômico nacional, apontando para o que define como um grave processo de desindustrialização. Segundo o político, o fenômeno, que já afeta o Brasil de forma sistêmica, tem apresentado contornos ainda mais críticos no território cearense, comprometendo o desenvolvimento de um setor que historicamente enfrenta desafios de maturação. As declarações foram dadas neste sábado (7) durante homenagem na Câmara de Vereadores de Juazeiro do Norte. Na ocasião, Ciro recebeu a Comenda do Mérito Legislativo.
Para Ciro, o ambiente de negócios no país é hostil ao empreendedorismo industrial. Ele destaca que a combinação de taxas de câmbio instáveis, uma burocracia excessiva e uma carga tributária ineficiente cria obstáculos quase intransponíveis para a produção nacional. “O Brasil é o país que mais fecha e destrói indústrias no mundo”, afirmou, ressaltando que a falta de políticas governamentais capazes de mitigar essas desigualdades impede o avanço tecnológico e a geração de empregos qualificados.
Um dos pontos centrais da crítica de Ciro Gomes reside na perda de autonomia dos estados para atrair investimentos através de benefícios fiscais. Ele relembrou o modelo que permitiu a instalação de grandes plantas industriais no interior do Ceará, como a Grendene, em Sobral e no Crato, citando que a engenharia tributária da época compensava as desvantagens logísticas da região. “Era um incentivo onde eu compensava a Grendene de trazer a matéria-prima lá do polo petroquímico da Bahia e vender os calçados produzidos aqui […] lá nos Estados Unidos ou na Europa com incentivo fiscal. Com esta dita reforma tributária, acabaram com isso”, relembra.
Ele argumenta que, sem uma política industrial ativa e agressiva, o Ceará corre o risco de ver seu parque fabril encolher, tornando-se dependente de setores com menor valor agregado. O político enfatiza que a produção industrial exige condições de contorno que superem as “formalidades estúpidas” da burocracia brasileira para que o estado possa competir no mercado global.
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