Fortaleza é a capital com a maior inflação do país em agosto

A dona de casa Lúcia Pereira, de 63 anos, não tem sentido contenção no preço dos produtos alimentares necessários aos mantimentos da sua família. “Tudo ainda muito caro. A gente vai ao supermercado em uma semana e na outra o preço dos produtos já aumentou. Situação difícil para as pessoas com renda média, imagina para a população mais necessitada. A sensação de estagnação dos preços é uma falácia, pois ela não existe, tudo continua caro, o que interfere diretamente no nosso poder de compra. Os preços sobem todas as semanas, o que nos assusta”, disse.

A sensação da consumidora deve ser a mesma de muitos outros fortalezenses. Isso se reflete no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, que em Fortaleza e na Região Metropolitana ficou em 0,74% em agosto, 0,57%, acima da taxa de 0,17% registrada em julho, e considerada a maior inflação do país. No acumulado do ano, a inflação registra alta de 3,62% e, nos últimos 12 meses, de 4,50%. Em agosto de 2022, a variação havia sido de -0,74%. Os dados foram divulgados nessa terça-feira (12/09), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete tiveram alta no mês de agosto. O maior impacto positivo (0,40%) veio dos transportes e a maior variação (2,59%) foi observada pela educação. Destacam-se, ainda, as altas de saúde e cuidados pessoais (1,04% e 0,14%) e habitação (0,77% e 0,12%). Já os grupos que registraram recuo estão o grupo alimentação e bebidas, que caiu pelo terceiro mês consecutivo (-0,59% e -0,14%). Os demais grupos ficaram entre o -0,59% de artigos de residência e o 0,74% de vestuário.


A queda do grupo alimentação e bebidas (-0,59%) deve-se principalmente ao recuo nos preços da alimentação no domicílio (-0,78%). Destacam-se as quedas da batata-inglesa (-10,07%), do tomate (-8,14%), do feijão fradinho (-4,91%), tubérculos, raízes e legumes (-5,93%), Cereais, leguminosas e oleaginosas (-1,85%) e carnes (-1,27%). No lado das altas, destacam-se a subida dos preços da manga (10,49%), mamão (7,65%), alho (5,87%) e laranja-pera (3,50%).

“O impacto para a economia, principalmente para consumidores de baixa renda, é geral, pois quando a inflação aumenta, a tendência é que os preços dos produtos também aumentem e isso geralmente impacta negativamente a vida das pessoas. Percebemos que alguns setores tiveram aumento como vestuário, transporte, por causa do retorno de impostos federais, entre outros, mas há uma variação. Saúde e higiene pessoal tiveram aumentos por causa dos preços dos planos de saúde e tudo isso acaba refletindo. O fato é que a inflação alta compromete a economia do país, pois a taxa de juros também aumenta e tudo isso corroi o poder de compra, sobretudo a população de renda mais baixa. É preciso reavaliar como o cenário do país se comportará nos próximos meses. Todos esperamos pela próxima reunião do Copom”, avaliou o economista ­Wandemberg Almeida.

Contrução


Outro índice que recuou no Ceará foi o Índice da Construção Civil (Sinapi), cuja variação foi de -0,48% em agosto. A taxa é 0,89% menor do que o índice registrado em julho (0,41%). Com isso, o acumulado do Sinapi nos últimos 12 meses é de 3,46%, abaixo dos 4,02% verificados nos 12 meses imediatamente anteriores. O índice de agosto de 2022 foi de 0,06%. No Ceará, o custo da construção, por metro quadrado, apresentou queda em relação a julho, quando foi de 1.589,42, e chegou a R$ 1.581,77 em agosto, dos quais R$ 976,40 relativos aos materiais e R$ 605,37 à mão de obra.

Principais aumentos causados pela inflação

Educação: 2,59%
Transportes: 2,08%
Saúde: 1,04%
Cuidados pessoais: 0,14%
Habitação: 0,77%
Despesas pessoais: 0,31%
Alimentação: -0,59%
Bebidas: -0,14%
Artigos de residência: -0,59%
Vestuário: -0,74%

*Estadoce

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