Ciro classifica a segurança pública como grande “emergência do Ceará” que virou “paraíso da impunidade”

| Foto: GABRIELA BILÓ/FOLHAPRESS

O candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), fez duras críticas à situação da segurança pública no Estado. Ao justificar o retorno à disputa eleitoral, o ex-ministro apontou o avanço das facções criminosas, a baixa resolução de crimes e a falta de uma estratégia capaz de atingir o comando das organizações. Para ele, o Ceará chegou a um cenário de falta de responsabilização, que passou a fazer parte da realidade da população, transformando o Estado em um “paraíso da impunidade”.

Durante sabatina ao jornal Jangadeiro, o tucano classificou a segurança como a “grande emergência” do Ceará e criticou a política adotada pelo governador Elmano de Freitas (PT). Na avaliação de Ciro, o aumento do efetivo policial e a compra de viaturas são importantes, mas insuficientes para enfrentar estruturas criminosas cada vez mais organizadas.

“Claro que viatura e gente são importantes, mas não é isso que resolve crime organizado. Crime organizado se resolve com inteligência, e já é a minha resposta: inteligência e tecnologia”, refletiu.

A proposta apresentada pelo candidato é criar uma estrutura de inteligência voltada à identificação da cadeia de comando das facções, em vez de concentrar a atuação policial nos integrantes que ocupam posições inferiores. Ciro também defende uma estratégia de inteligência comunitária. “Então, vai ser inverso: ao invés de eu prender garoto, eu vou cuidar de dar aos garotos uma alternativa. Vou precisar das mães, das avós, das mulheres…”, disse.

O plano também prevê investimentos em tecnologia, inteligência artificial e integração de câmeras de segurança públicas e privadas. Segundo Ciro, os equipamentos poderiam identificar pessoas procuradas ou sob suspeita e acionar, em tempo real, a viatura mais próxima.

A crítica do tucano se torna mais contundente ao abordar a capacidade do Estado de esclarecer os crimes cometidos. O candidato citou índices de resolução de homicídios, roubos e crimes cibernéticos que atribuiu ao Ceará para sustentar que a baixa eficiência investigativa alimenta a criminalidade. Segundo ele, o problema ultrapassa a sensação de insegurança e revela uma incapacidade do poder público de responsabilizar os criminosos.

Para Ciro, a retomada econômica passa pela recuperação da segurança e da capacidade de planejamento do Estado. A crítica é de que o Ceará teria deixado de ser referência na atração de empresas e na geração de empregos, enquanto enfrenta o avanço da desindustrialização e das organizações criminosas.

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