Governo Trump acusa Brasil de “censura” após X limitar alcance de candidatos por ordem do TSE

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Uma autoridade de alto escalão do governo de Donald Trump acusou o Brasil de impor “censura” depois que o X anunciou uma mudança específica em seu algoritmo para as eleições presidenciais de 2026. A plataforma passou a impedir que contas oficiais de candidatos e suas publicações sejam recomendadas na aba “Para Você” a usuários que não seguem esses perfis.

A alteração foi implementada por meio do recurso “Brazil2026ElectionFilter”, criado exclusivamente para o período eleitoral brasileiro. Segundo o próprio X, a mudança foi necessária para cumprir uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que obriga plataformas com sistemas de recomendação a retirar das sugestões automáticas as contas oficiais de candidatos e os conteúdos publicados por elas.

A reação veio de Sarah B. Rogers, subsecretária de Estado para Diplomacia Pública e Assuntos Públicos dos Estados Unidos. A integrante do governo Trump afirmou que a medida “marca a censura imposta pelo Brasil”.

A área comandada por Rogers integra o Departamento de Estado dos EUA, chefiado por Marco Rubio, e a declaração eleva a regra eleitoral brasileira a mais um ponto de tensão entre Washington e Brasília.

Regra do TSE atinge diretamente o alcance dos candidatos

A mudança não bloqueia perfis nem remove publicações. O efeito ocorre sobre um dos instrumentos mais importantes para o crescimento orgânico nas redes sociais: a recomendação algorítmica de conteúdo para pessoas que ainda não seguem determinado candidato.

Na prática, um eleitor poderá entrar diretamente no perfil de um candidato ou visualizar suas postagens caso já o siga. O que deixa de acontecer é a distribuição automática daquele conteúdo na aba “Para Você”.

O próprio X reconheceu que a decisão deverá reduzir a exposição dos candidatos.

“No X, essas contas e seus posts não serão mais recomendados na aba Para Você durante o período eleitoral a não ser que o usuário explicitamente siga a conta”, informou a plataforma.

A empresa acrescentou que a alteração “deverá afetar a visibilidade e alcance dos perfis e de seus conteúdos”.

Em uma eleição na qual as redes sociais exercem papel central na conquista de novos eleitores, a consequência é relevante: candidatos passam a depender mais de seguidores já conquistados, busca direta, compartilhamentos e outras formas de distribuição para romper suas próprias bolhas digitais.

X diz que mudança foi imposta pela legislação eleitoral brasileira

A plataforma fez questão de esclarecer que o filtro não representa uma decisão espontânea de sua política interna.

Segundo o X, a mudança foi feita para atender às exigências da Justiça Eleitoral brasileira.

A empresa afirmou ainda que o recurso “não é sanção nem mudança das regras do X”, mas uma adaptação técnica necessária para cumprir a resolução do TSE.

É exatamente esse ponto que motivou a reação do governo americano.

Ao falar em “censura imposta pelo Brasil”, Rogers atribui diretamente às autoridades brasileiras a responsabilidade pela redução da distribuição de conteúdo político dentro da plataforma.

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